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O PAPEL DAS REDES SOCIAIS NA FORMAÇÃO E INTERAÇÃO DE NOVOS LEITORES


Em tempos atuais, é nítida a potencialização da literatura graças às redes sociais, que desempenham um papel fundamental na formação de novos leitores. Com o surgimento de novas ferramentas de interação e de novos recursos dentro das plataformas, isso tem surtido um efeito muito positivo dentro do meio literário.

Como comentei na minha primeira postagem há duas semanas, os influenciadores digitais são de suma importância para essa divulgação e interação, seja para o bem ou mal. No entanto, vale a pena enxergar as coisas pelo lado positivo, tendo em vista que até mesmo uma avaliação ruim de uma obra literária pode arrecadar leitores.

A dificuldade que tínhamos, no passado, para reunir um clube de leitura ou até mesmo um simples encontro numa livraria, não é mais desculpa para a falta de debate ou de incentivo na criação de novos leitores. A era digital contribui com inúmeras facilidades. Ao expor sua opinião sobre uma obra, fazer indicações ou listar seus gêneros favoritos nas redes sociais, você está ajudando no surgimento de pessoas interessadas em literatura, que poderão levar você em consideração.

O contato entre leitores é muito valioso, sejam quais forem suas opiniões. Quem nunca terminou um livro e queria correr pra contar a um amigo sobre a experiência de leitura? Muitas vezes caíamos naquele velho problema: quando ninguém mais leu a obra e nos sentíamos sozinhos, ansiando por alguém para compartilhar comentar. Com as redes sociais isso se tornou muito prático. Basta clicar na lupa de busca, colocar o nome do livro e ter acesso a incontáveis outros perfis que leram, ou estão lendo, o mesmo que você. É possível deixar um comentário a respeito, bem como publicar suas opiniões em seu próprio perfil e aguardar que outros venham responder.

A criação de leituras coletivas ampliou ainda mais esse leque de possibilidades. Os debates virtuais, apesar de um pouco menos organizados do que os que são feitos de maneira presencial, permitem que as pessoas interajam, de onde quer que estejam, seja em tempo real ou não. Eu mesmo organizo anualmente uma LC (leitura coletiva) para debate dos contos do autor H. P. Lovecraft, já em seu terceiro ano. Apesar de muita gente sair ou entrar no meio desse caminho, é muito divertido ver novos leitores surgirem com essa interação.

Sem as redes sociais, essas LCs seriam muito menores, com pessoas apenas do seu bairro ou cidade. Hoje podemos debater com leitores do mundo inteiro, em tempo real e sem muitos obstáculos. A flexibilidade também é um papel importante nesse quesito, pois quando um dos participantes não pode estar presente no horário ou dia combinado, isso não o impede de compartilhar sua opinião assim que puder. Já fazíamos dessa maneira na época da popularidade dos fóruns de internet.

Ainda temos pela frente um grande caminho a trilhar na ampliação desse leque de novos leitores. Pode parecer um trabalho de formiguinha, mas que se mostra super importante para mudanças cruciais no futuro da literatura como um todo.

A leitura é transformadora, e devemos incentivar o maior número de pessoas a embarcar nessa viagem conosco. Em uma época na qual temos à disposição aplicativos para organizar e catalogar nossa biblioteca pessoal, anotar e calcular o tempo de uma leitura, convenhamos: só nos resta disposição.




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