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O lado macabro do Natal


Ao ouvir a palavra “natal” imediatamente nos surge à cabeça variadas imagens. Pinheiros enfeitados, luzes que piscam, bengalas listradas de vermelho e branco, e, inevitavelmente, o conhecido senhor de barba branca, barriga saliente e roupas vermelhas. Provavelmente o Papai Noel é uma figura conhecida para inúmeras culturas, obtendo reconhecimento quase global.

Sua premissa básica é presentear as crianças que se comportaram e foram boazinhas durante o ano. Porém, eu me pergunto, quem cuida das crianças más? Com esse questionamento em mente, resolvi pesquisar sobre o lado macabro do Natal. Afinal, toda a história, mesmo as natalinas, tem mais de um lado.

Vamos às assombrações natalinas e suas tradições folclóricas!

Começando na Alemanha, temos a figura do Belsnickel, uma espécie de duplo do Papai Noel. Ao invés de uma bonita roupa vermelha e branca, o Belsnickel caminha coberto por peles de animais. Geralmente seu traje é desgastado e sujo, as peles, com as quais se cobre, podem inclusive estar em estado de decomposição. Apesar, de vez ou outra, presentear uma criança que tenha sido boa durante o ano, sua principal função é caçar as crianças malvadas e lhes aplicar uma surra com seu longo chicote.


Uma outra versão dessa mesma lenda vem da Bélgica e do interior da França. O Pére Fouettard teria sido um açougueiro que matou três crianças em uma noite de Natal, guardando seus corpos mutilados em um barril. Mais tarde, naquela mesma noite, Papai Noel teria achado e ressuscitado os corpos, amaldiçoando Pére Fouettard que, desde então, acompanha o bom velhinho durante a véspera de Natal e caso a criança não mereça os presentes do primeiro, terá as chicotadas do segundo.

Na Islândia, podemos encontrar duas entidades malignas que se dispõe a praticar suas atividades cruéis no Natal. O Gato Yule é uma enormidade felina de pelos negros. Como o gato que é, ele se espreme para passar nas menores brechas e frestas das casas. Uma vez lá dentro, o Yule vasculha atentamente o guarda-roupa das crianças. Caso elas não tenham roupas novas desde o último Natal, ele se aproxima sorrateiramente, deslocando sua mandíbula sobrenatural, até conseguir engolir por completo o dono das roupas velhas. Mesmo que a criança passe no teste do Yule, ela deverá impressionar a Grýla. Essa bruxa desce anualmente a montanha na qual mora, sempre na noite de Natal, em busca de pequeninos malcriados. Ao encontrá-los, põe os pestinhas em seu saco, retornando à sua casa para, então, transformá-los em um saboroso cozido. Como se alimenta somente uma vez por ano, não costuma estar aberta a negociações ou súplicas.

Para encerrar, gostaria de contar uma lenda que virou uma tradição, talvez a única dessa coluna que não se concentre em crianças. Na terra das fadas, também conhecida como Escócia, é bem possível que um bando bata à sua porta. Entre eles haverá uma pessoa vestida com um lençol. Em vez de um rosto, ela terá um crânio de cavalo na cabeça, não obstante a cabeça estará repleta de sinos e fitas, representando a Fada Mari Lwyd. Pois é, algumas fadas não têm asas nem beleza! O bando irá desafiar os moradores a uma batalha de rimas, costumeiramente com teor ofensivo. Caso você perca, terá que os deixar entrar e eles terão o direito de comer e beber à vontade todo o conteúdo da sua dispensa. Ao final, Mari irá lhe prestar o serviço de caminhar pela sua propriedade expulsado os maus espíritos que podem estar presentes. Exatamente por prestar esse serviço, algumas pessoas perdem propositalmente, ou convidam o bando e sua Fada para adentrarem à residência e participarem do banquete.

Confesso que o Natal é minha época favorita do ano, sinto que nesse período as pessoas parecem acreditar mais na magia e no fantástico escondido em nossa rotina. Espero que tenham um bom Natal, tanto quanto espero que vocês tenham sido bons neste ano, caso contrário...





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