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Metais pesados em Trilhas sonoras de filmes de Horror – Parte I


O cinema de horror sempre foi uma fonte infinita de inspirações para a música. Muitas das belíssimas peças orquestrais ou eletrônicas que temos hoje em dia foram criadas para embalar as cenas mais belas, terríveis ou aventurosas de filmes. Mas uma prática também comum entre os consultores de trilhas sonoras é utilizar canções já existentes como parte da trilha… Por vezes, esses profissionais (o diretor também, em muitas ocasiões), miram em um estilo que, sem dúvida, casa muito bem com o gênero do horror: o metal pesado.



O Heavy Metal é um gênero muito singular, nascido dos sons caóticos e trovejantes do maquinário pesado da indústria metalúrgica, transformados em música por uma banda de Birmingham chamada Black Sabbath que, no ano de 1970, lançou o álbum homônimo, e mudou de vez os rumos tranquilos que a música mais Hipponga e positiva vinha traçando. É claro… esse mapeamento é uma aproximação, uma pedra basilar em que poucos ousam mexer, e muitos contestam; decidir qual banda pariu o estilo, no entanto, não é o intuito dessa matéria.


Vamos citar aqui alguns filmes que utilizaram canções de grupos de Heavy Metal e suas inúmeras vertentes como trilha sonora. O número é exorbitante, chega a causar algum estranhamento, pois é raro que alguém se recorde de ter ouvido Iron Maiden, Metallica ou Motörhead em alguma trilha de filme, mas sim… existem!

A começar pelo remake de Rob Zombie do filme “Halloween”, de Carpenter. Rob Zombie é frontman do grupo White Zombie (e posteriormente de Rob Zombie), e grande fã de filmes de horror. Ele assina a direção de um punhado de produções, e como fã e compositor de música pesada, não poderia perder a oportunidade de escamotear sons de bandas do estilo para dos filmes. Em “Halloween”, podemos ouvir uma variedade muito grande de grupos, mas os mais notáveis são Blue Öyster Cult, com a canção “Don’t Fear the Reaper”, do álbum homônimo, que por seu tom alegre poderia até mesmo destoar de todo o arranjo, mas casa muito bem com a cena em que entra. A balada melosa do grupo Nazareth, “Love Hurts”, que sempre abala os corações mais sensíveis, e que erroneamente puxa o gênero do grupo para algo mais leve, mesmo sendo Nazareth uma das bandas mais pesadas de sua época. Encontramos até mesmo rock progressivo nessa trilha, com Tom Sawyer, do grupo Rush, faixa do álbum “Moving Pictures”. E certamente, já que seria imperdoável para Zombie deixar passar essa oportunidade, “Halloween”, da banda de Punk-Horror Misfits.

Um filme mais esquecido, e talvez tão divertido quanto esse, é Drácula 2000, dirigido por Patrick Lussier. A trilha sonora dessa produção conta com bandas bem mais pesadas que a de Zombie, e vai desde Disturbed até Slayer e System of a Down. “Avoid the Light”, uma canção do Pantera, parece ter sido escolhida mais pelo título que por qualquer outro motivo, uma vez que cria uma ligação quase cômica com o tema “vampirismo”. Aliás, essa comicidade está presente em outros títulos, como “Bloodline” do Slayer, e “Your Disease”, da banda Saliva. Podemos também encontrar uma canção do Monster Magnert, a estranha “Heads Explode”, e “The Metro” do grupo System of a Down.

Em “Resident Evil” (2002), encontramos faixas de bandas como Slipknot, “My Plague”, em uma versão mixada; “Invisible Wounds”, do grupo Fear Factory, também com outra mixagem, “Halleluja” do Rammstein, e “Dirt” do Nine Inch Nails. Marylin Mason também aparece em peso, com quatro faixas na trilha ao todo.

E para finalizar essa primeira parte da matéria (seccionada em três), temos a trilha sonora recheada de “Texas Chainsaw Massacre”, o remake de 2003. Mais uma vez, as músicas ferozes e violentas do Pantera aparecem, dessa vez “Imortally Insane”, do álbum “Reinventing the Steel”. O metal experimental também tem sua vez com “Rational Gaze”, da banda Messhugah, lado a lado com o Death Metal do Morbid Angel, com a canção “Enshrined by Grace”. Bandas mais recentes, como Lamb of God e Mushroomhead, aparecem com as canções “Ruin” e “43”, respectivamente.


É claro que há muito mais, e uma análise mais precisa de cada um dos trechos nos quais foram utilizadas as canções exigiria um esforço sisífico, além de horas e horas assistindo a filmes aos quais já assisti exaustivamente. É sempre um prazer, como fã do gênero Heavy Metal, ser surpreendido com alguma canção de um grupo que conheço, mesmo que por poucos segundos, em filmes de horror.

Ah! Fica aqui uma menção honrosa para o personagem Billy, de Stranger Things… o badboy incompreendido que é grande fã de Metallica, mais especificamente do álbum “Kill ‘em All”, cujo pôster até mesmo aparece em uma das cenas da série.







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