• Diário Macabro

Metais pesados e Filmes de Horror – PT. II

Seguindo nossa matéria seccionada em três partes, vamos continuar a falar de filmes que trazem canções de rock e metal como trilhas sonoras.




Quem aqui não se recorda do filme “The Crow”, de 1994? Inspirado na HQ de James O’Barr e estrelado pelo icônico Brandon Lee — filho de Bruce Lee e que sofreu uma morte trágica durante as filmagens do longa —, esse é um dos filmes mais conhecidos da década de 1990, e sua ambiência sombria e noturna flerta facilmente com o noir e com o gótico. Não à toa, muitas bandas do gênero tiveram suas músicas elencadas para compor a trilha sonora do filme. A mais famosa delas abre o álbum de “The Crow”: trata-se da canção “Burn”, do grupo de rock gótico britânico The Cure. A canção foi composta especialmente para o filme, e ficou em primeiro lugar na Billboard 200 ainda no mesmo ano. O clima industrial em “O Corvo” evocou a banda Machines of Loving Grace, um grupo de Tucson, Arizona, que com a canção “Golgotha Tenement Blues”, nos submerge em uma cidade escura, fria, repleta de lugares e fábricas abandonadas, combinando perfeitamente com o filme. “Dead Souls”, do Nine Inch Nails, acrescenta ainda mais a essa atmosfera, com seus sintetizadores e vozes com efeitos sonoros de distorção. Bandas mais pesadas como Pantera e Rage Against the Machine, que à época estavam em seu auge, também participaram da trilha, com “The Badge e Darkness (Of Greed)”. “Snakedriver”, do grupo escocês de rock alternativo The Jesus and Mary Chain é talvez uma das canções mais animadas da trilha, destoando um pouco do clima furioso e sombrio das outras composições. Definitivamente, a trilha sonora de “O Corvo” é um deleite para os fãs de rock gótico, industrial e alternativo; o filme ganha ainda mais densidade e poder, ainda mais por se tratar da obra de um músico de rock.



Seguindo ainda no rastro de filmes com climas sombrios e predominantemente noturnos, temos “Underworld” (2003), lançado no Brasil como “Anjos da Noite”, e que certamente foi o filme favorito dos adolescentes góticos da época. Estrelado pela talentosa Kate Benckinsale, a trilha sonora desse filme recebeu desde The Damning Well até David Bowie, mistura essa que, não se engane, deu muito certo, e casou muito bem com o clima do longa. E por falar em The Damning Well, esse supergrupo formado por membros das bandas Limp Bizkit, Nine Inch Nails, Filter e A Perfect Circle, inicia o álbum com a pesada “Awakening”, referenciando indiretamente o despertar do sangue antigo e vampírico que domina a narrativa. Quebrando o clima pesado, temos “Rocket Collecting”, de Milla Jovovich, melancólica, densa e mais compassada. A mix de Danny Lohner para “Bring Me The Disco King”, de David Bowie, transformou a canção, que antes era um tanto calma e lânguida, em uma poderosa canção entristecida e com maior peso, não destoando do clima sempre noturno do filme. O último destaque fica para a pesada e estranhíssima — aos ouvidos mais sensíveis — “Baby's First Coffin”, do grupo estadunidense de mathrock, The Dillinger Escape Plan. Mathrock é um estilo ainda a ser descoberto, apesar de já difundido no meio da música pesada, e não é de se espantar que suas guitarras complexas e ritmos quebrados, sincopados ao extremo, e seus vocais rasgados que beiram o ininteligível, possam assustar no começo, mas há uma beleza bruta escondida no estilo, e essa violência implacável, mas de certa forma elegante, combinou muito bem com “Anjos da Noite”.



“Triple X” (2002), definitivamente não é o tipo de filme que ficaria do lado dos dois anteriores em uma estante… talvez ao lado de “Velozes e Furiosos” ou alguma produção do Michael Bay — e isso não é demérito! —, mas sua trilha sonora é estupenda em se tratando de canções icônicas do metal, e é com essa trilha realmente violenta que finalizo essa segunda parte.


Quem não se recorda do icônico e silencioso “Let the bodies hit the floor, let the bodies hit the floor, let the bodies hit the floor, let the bodies hit the…. Flooooooooor!” que inicia a faixa “Bodies” da banda Drowning Pool? É… muita gente já deixou o mp3 rolando, e naquele sono, no ônibus, ou até mesmo em casa, se assustou quando de repente um maníaco grita “Floor” com a raiva de quem perdeu cinquenta reais voltando da padaria. Pois bem, não há de se espantar que tenha sido escolhida para compor a trilha do eletrizante — perdoem o adjetivo de Sessão da Tarde — de “Triplo X”. Hatebreed é um grupo com fortes influências de metalcore, hardcore e new metal de Nova York, a banda participa com a poderosa “I will be heard”, que até mesmo ganhou um videoclipe. A estranha “Millionaire” do grupo Queens of the Stone Age, presente no clássico “Songs for the Deaf”, cria um clima perturbador na trama, ainda assim, o tom sludge da banda, sujo e pesado, soa bem agradável aos ouvidos. Para finalizar, temos aquela que talvez seja uma das canções originais que melhor casou como trilha sonora de filmes: falo da agressiva “Feuer Frei”, do grupo alemão Rammstein, que não poupou em fogo, músculos e combustível para produzir um dos clipes mais insanos da história. A piromania de Till Lindemann, vocalista, já é conhecida, e os shows da banda são um espetáculo de manobras, aparelhagens e fogos de artifício.




19 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo